Primeira Carta Dos Sacerdotes Da Fe Verdadeira Ao Povo De Sara

PRIMEIRA CARTA DOS SACERDOTES DA FÉ VERDADEIRA AO POVO DE SARA (193 AI)

1. Operosas sejam vossas mãos, erguidas vossas cabeças;
2. Sara, nossa mãe, nos ensina e protege.
3. Fainis, Gisliin, Saanel, Aubin, Serenai, consagrados sacerdotes de Sara, pela graça e vontade dos irmãos ungidos pentarcas da Fé Verdadeira,
4. ouviram, meditaram, a vós, povo de Sara, escrevem: aos camponeses e artesãos, que a face de Sara embelezam, aos guerreiros que defendem o Seu fértil seio, aos irmãos consagrados, que guardam Sua memória e destino.
5. Sede fiéis.
6. Só Sara é nossa mãe;
7. diante dela não tereis outra fé;
8. nenhuma imagem adorareis, a nenhuma obra por mãos humanas erguida, estátua, livro, façanha, dareis crédito superior ao de Sua Obra.
9. Sara, nossa mãe, fala por si.
10. Nenhuma imagem é mais poderosa do que o Seu ventre, do qual nascestes;
11. nenhum livro mais eloqüente que a Sua voz.
12. Ouvi o vento, olhai os campos, lede a terra em que caminhais: escutareis a voz de nossa mãe, vereis o Seu rosto, entedereis Sua vontade.
13. Sede gratos.
14. Não recuseis as abundantes dádivas de nossa mãe. Não digais: "Tal alimento é impuro". Para vosso sustento foi feito, se não perturba vosso corpo e vossa mente. Comei e bebei, e dai a quem não tem.
15. Não deixeis sem semear a terra que vossas mãos alcançam; não retenhais aquela que não puderdes cultivar.
16. Não há pureza na abstinência,
17. aquele que maltrata as dádivas de Sara caminha na ilusão,
18. muitos deuses verá, e nenhum lhe valerá, pois da fraqueza não nasce a força.
19. Sede retos.
20. Defendei o que é vosso,
21. não tomeis o que é alheio,
22. dai o que não vos serve,
23. conservai o que precisardes.
24. Lutai pelo que é justo,
25. não aceiteis o que não é;
26. preferi a paz, não temais a guerra;
27. que o coração guie vossas mãos quando afagam, mas que as guie a razão, quando empunham a espada. Não vos vingueis, mas impedi que o mal floresça.
28. Não mateis quem não vos ameaça,
29. nem, podendo evitar, os vossos inimigos; mas não sejais jamais covardes diante do perigo.
30. Sede livres.
31. Não aceiteis comando que não venha da razão, ou da fé, ou da necessidade,
32. respeitai os que sabem mais, louvai os que muito lutaram, obedecei a quem de direito,
33. não vos deixeis escravizar. Se o fizerem, revoltai-vos, empunhai as armas, morrei, se for necessário.
34. Não tenhais diante de vós homem, ou mulher, para dizer: "A mim pertence": o grilhão que acorrenta o escravo, também ao senhor acorrenta.
35. Ao inimigo derrotado, poupai a vida. Fazei com que para vós trabalhe, mas não separeis da mãe o filho, do amigo, a amiga.
36. Irmãos. Entendei a vontade de nossa mãe:
37. toda vida é bela e digna, pois de Sara procede. Não desprezeis a grama onde pisais, nem os vermes que vos devorarão o corpo;
38. mas vede que a cada ser corresponde, na sabedoria de Sara, um lugar diverso na ordem do mundo.
39. Não se prestam os cães para serem cavalgados, nem os cavalos para a guarda; o lobo não pasta, nem o boi come carne. Não fareis vossas casas casas do macio pinho, mas do rijo cedro; não cultivareis o joio, mas o trigo; a cerveja é para a festa, para o luto, o vinho; para o trabalho, bebereis leite.
40. Da mesma forma, não armarás o camponês, não esperarás que o sacerdote ceife a vindima, nem que o guerreiro vos oriente no caminho de Sara. Não foram feitas para o barro as mãos do nobre, nem para a espada as dos servos da Deusa, nem as rudes mãos do vulgo se intrometam nos mistérios de Sara.
41. Assim tendes sido; por isto vossa mãe vos agradece, e vos confia a vitória nos campos de batalha.
42. Olhai porém o exemplo dos reinos que tendes curvado sob a vossa espada; não vos torneis como eles,
43. que cultuam estranhos deuses em multidão, que adoram pedaços de pedra e pau, fátuas palavras escritas em livros falsos, vazios de verdade e abundantes de prodígios e ameaças,
44. que se abstém de favas ou da carne do porco ou do vinho e do mel,
45. que sacrificam animais e homens a deuses sedentos de sangue, e deixam a terra sem amanho,
46. que da pilhagem fazem profissão, e da usura, e chamam santos os convocados pela Lua, os eremitas e os mendigos,
47. que vendem os corpos de suas filhas, e dizem santas as virgens,
48. que juram fidelidade por cálculo, e guerreiam por embriaguez,
49. que guerreiam os fracos, e fogem dos fortes, e sobretudo de vós,
50. que saqueiam e fazem escravos, e a si mesmo se escravizam ao permanente terror da revolta,
51. pois sois filhos de Sara: ao Seu suave comando deveis obediência.
52. Regozijai, pois, filhos da Deusa, quando diante de vós, como castelos de areia, caem as fortalezas sangrentas e imundas de Farin e Sobin, Sfian, Gusanda e Astibela!
53. Perseverai no vosso reto caminho, pois diante de vós ruirão ainda o infame Jargh, a opulenta Palis, as lendárias terras do Norte.
54. Sede, porém, prudentes,
55. o mais perverso sobiano, o mais vil fariano, o mais vil jarghita, não é feito de nenhum material que não tenhais vós mesmos nas vossas veias e crânios. Esquecei vossa mãe, deixai-vos seduzir pelas loucuras e lendas de falsos deuses, e não sereis melhores que vossos inimigos.
56. Sois vitoriosos, se-lo-eis ainda mais;
57. mostrai-vos dignos de vossas vitórias, sendo dignos de vossa mãe.
58. São estas as palavras, irmãos, que meditamos e vos enviamos, para completar, com o triunfo da Fé, as vitórias de nossas armas.

Unless otherwise stated, the content of this page is licensed under Creative Commons Attribution-ShareAlike 3.0 License