Guilda Dos Sapateiros

A Guilda dos Sapateiros, popularmente chamada "Guilda Verde" devido à cor da sua bandeira, é a organização corporativa dos sapateiros de Palis.

A hierarquia da guilda é típica: o indivíduo começa como aprendiz; para ser admitido como tal, é necessário ser "adotado" por um mestre, com o qual vai trabalhar em cooperação, normalmente em uma oficina com meia dúzia de outros trabalhadores - geralmente um oficial ou companheiro, e vários aprendizes. Após algum tempo, pode solicitar aprovação como companheiro; para isto, é preciso que realize uma "obra-prima": um par de sapatos inteiramente produzido sob sua direção (para este fim, todos os outros aprendizes são colocados por algum tempo à sua disposição). Se for aprovado, a critério do mestre, é promovido em uma cerimônia em que presta juramento à guilda, entrega a sua obra-prima ao mestre-geral da guilda, e leva uma surra dos companheiros. A festa termina numa bebedeira generalizada (daí a expressão "bêbado como um sapateiro").

A maior parte dos membros passa a vida inteira como aprendiz. Os mestres dividem o trabalho entre os aprendizes, de maneira que é difícil para estes se aperfeiçoarem em todas as etapas da produção. Ademais, a promoção depende da aprovação do mestre, e este pode evitar concedê-la de acordo com seus interesses, particularmente se não houver aprendizes em perspectiva para substituir o que demanda promoção. Se reprovado duas vezes consecutivas, o aprendiz pode solicitar sua "transferência" para outro mestre, mediante o pagamento de uma multa.

Os companheiros costumam ser chefes de oficina, dirigindo o trabalho dos aprendizes e subordinados ao mestre. Seus salários são costumeiramente o dobro do salário dos aprendizes. Eles não podem se estabelecer por conta própria. A promoção a oficial é difícil, e encarada pela maioria dos sapateiros apenas como um estágio necessário para chegar a mestre. Os oficiais podem fazer exatamente o mesmo que os companheiros, dirigindo o trabalho dos aprendizes; numa oficina maior, podem chefiar dois ou três companheiros, cada um com sua equipe de aprendizes. Eles podem também se estabelecer por conta própria, em geral como remendões, pois não podem adotar aprendizes - e, embora possam, teoricamente, contratar companheiros como assalariados, isso se torna inviável na prática, devido ao salário maior dos companheiros.

A promoção a mestre implica alcançar o topo da carreira para estes profissionais, e, dada a importância da guilda para a cidade, aceder ao patriciado urbano. Ela depende do Conselho da Guilda, que a avalia em função de diversos fatores, como o número de mestres em exercício, a necessidade de abrir novas oficinas, etc. Geralmente a morte ou aposentadoria de um mestre abrem a imediata possibilidade de promoção; neste caso, porém, o Conselho da Guilda tende a promover os filhos, sobrinhos, etc. do mestre que se aposenta ou morre. Na prática, um mesmo grupo de famílias controla as oficinas de sapataria da cidade há muito tempo, e as perspectivas de mudança são mínimas.

Os mestres, porém, não são proprietários das oficinas, que pertencem coletivamente à guilda, a qual pode inclusive, em tese, confiscá-las e redistribui-las. Sua posição significa essencialmente prestígio, e só secundariamente riqueza. Também significa poder: o mestre-geral da guilda, que é uma figura de destaque na cidade, é eleito entre eles, e a guilda indica também um dos conselheiros da cidade, além de sempre ter uma posição forte na Câmara das Guildas.

Desde 1078, a mestra-geral da Guilda é Manilasu Clana, da Sapataria Clana.

Há cerca de 120 oficinas de sapateiro em Palis, sem contar os remendões. Além dos mestres, também em número aproximado de 120, há em torno de 150 oficiais, duzentos companheiros, e 800 aprendizes.

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